III CAMPEONATO DAS AMÉRICAS & CARIBE
BOGOTÁ - COLÔMBIA
05 a 07.07.2002
A Colômbia deu um show de organização e profissionalismo na terceira edição do campeonato continental. Pena que apenas quatro condutores estrangeiros pagaram para ver – e quem viu, não vai esquecer tão cedo.
Por Hélio de Lima




Normalmente quando se ouve o nome Colômbia, o que se associa são as guerrilhas e o tráfico de drogas. Mas quem teve a oportunidade de estar na Colômbia, mais precisamente em Bogotá, para o III Campeonato das Américas e Caribe de Agility, viu uma cidade linda, incrustada no meio das montanhas e muito calorosa. Uma maravilha! Se o campeonato do ano que vem fosse lá, a minha ida já estaria garantida!

Foi o terceiro campeonato de que participei – ainda não faltei em nenhum! – e sem dúvidas o que apresentou a melhor estrutura, tanto para os competidores como para o público e imprensa, que compareceram em massa. Uma coisa que senti falta foi da representatividade de outros países, como Argentina, Uruguai e Peru. Dessa vez, tivemos a Colômbia em massa, com dois condutores do Brasil (eu com a Kim e o Tamaio com seus três borders), o Ivan com dois cães (a Malinois Orene e o border collie Genius) e um venezuelano (esqueci o nome dele!) com um labrador não homologado. Eu sei que a situação financeira não está fácil para ninguém, mas com certeza uma participação maior de condutores de outros países teria abrilhantado mais ainda o evento. Teria sido excelente se o campeonato tivesse pelo menos uma equipe de cada categoria de cada país!

Apesar da presença de apenas quatro condutores de fora do país sede, tenho certeza de que o formato funciona e o Américas e Caribe tem tudo para dar certo. É um campeonato intercontinental e ainda muito recente, estamos ainda em sua terceira edição! Quem não foi perdeu um grande evento pois só para começar os colombianos são anfitriões excepcionais! A recepção foi muito caliente, eles se preparam bem para receber todas as pessoas e os poucos que estiveram por lá foram tratados com o maior carinho.

 

O ginásio onde foi realizado o evento era um show à parte: bem localizado, com fácil acesso em um local privilegiado da cidade, com arquibancadas para o público, uma infra estrutura de dar inveja. O campeonato teve uma repercussão incrível por  parte da mídia, havia emissoras de TV e rádio cobrindo o campeonato. E do lado de fora estava havendo um grande eventio cinófilo, com exposições de estrutura e provas de trabalho.

 

E por falar em agility...

A Colômbia está de parabéns também nesse aspecto: os colombianos estão praticando agility de alto nível. Há labradores e os goldens muito bons e eles estão com border collies excelentes! Quando eles estiverem com mais cães competitivos, teremos duelos bastante interessantes aqui nos Américas e Caribe. Prova disso é o Davi Rodriguez com JJ, seu border collie, que já tinha se saído bem e esse ano se classificou em terceiro lugar no individual, atrás apenas de dois cães do Tamaio, que continua sendo o melhor condutor da América Latina. Mas isso todo mundo já sabia!

 

Meu Brasil brasileiro - O desempenho de nosso time foi bom, com as vitórias do Tamaio tanto no Standard como no Time e a Kim conquistando o primeiro lugar entre os Midis. Foi uma surpresa muito boa, pois não esperava ganhar esse campeonato. A velocidade da Kim já não é mais tão competitiva, mas ela é bastante regular.Ganhamos também a prova por duplas, com o Tamaio conduzindo o Billy 1 e eu com o Billy Branco. Esse cachorro merece um comentário à parte: conduzi-lo foi confirmar o que eu sempre vi nas pistas. O cachorro sabe tudo e muito gostoso de conduzir. Ele é ativo e gosta demais de brinquedo, é foi incrivelmente bem treinado e qualquer pessoa consegue conduzi-lo bem. Eu o peguei na hora da prova, nunca havia conduzido e muito menos treinado com ele. Show!

O Brasil na América do Sul sem dúvidas tem o agility mais forte e na minha opinião, também o melhor condutor. E se não for o melhor, o que acho difícil, sem dúvidas entre os três melhores o Tamaio está.

Viva a Colômbia Uma das coisas que mais gostei de ver na Colômbia era a harmonia entre os diferentes times. Notei que TODAS as equipes eram patrocinadas por empresas diferentes – se não me engano só um dos colombianos, o Daniel Lozano tinha uma equipe sem patrocínio; esse cara é um figura, o folclórico de lá. Ele é um grande instrutor canino que treina diversas modalidades, desde detecção de explosivos até farejadores de drogas. Seus cães não são de ponta, mas se ele tiver bons cães com certeza terá bons resultados.

Os times (que são como as escolas aqui do Brasil) vinham de várias cidades da Colômbia, como Bogotá – com vários times -, Cali, Medellin e Barranquilla e que não tinham nada a ver com a equipe nacional. Todos uniformizados e com logotipos de seus patrocinadores.

 

Good Memories

ABC das coisas mais legais do Américas & Caribe

ACOMODAÇÃO, TRANSPORTE & CIA: Não gastei nada, a organização teve a maior atenção comigo. Fui muito bem recebido, fiquei muito à vontade na clínica do dr. German, com quarto com TV, banheiro só para mim...

 

CONDUTOR DESTAQUE: Na minha opinião, o destaque foi o Davi Rodriguez. Seu cão Choco foi o melhor cão não homologado da Colômbia, ficando em 3o. no Grande Jumping e ainda conquistou o 3o no Individual com o JJ e merecidamente ganhou uma passagem para Dortmund, por ter sido o melhor condutor colombiano.

 

DISPLASIA COXO FEMURAL: Na hora do treino, fui fazer um aquecimento e tive um problema na articulação da bacia, na hora ficou todo mundo preocupado, foram buscar remédios, pomadas e cuidaram de tudo.

EDIÇÃO 2003 DO AMÉRICAS E CARIBE: Poderá ser no Peru ou no México, mas só Deus sabe. A preferência pelo que senti pelos condutores participantes será no México. Se for no México, provavelmente terá uma equipe americana que elevaria bastante o nível da competição.

FOLCLÓRICO: O Daniel Lozano é um cara muito divertido em suas conduções. Em uma das provas, ele chamou sua golden retriever que não partiu, aí ele chegou lá perto e falou para ela: ¿Que se pasa Salomé?. Foi muito engraçado! Com sua condução, ele anima a platéia. Pessoas assim são muito importantes pois transformam o agility em show. Para o Tamaio, um cara desses nem precisava pagar a inscrição pois atrai o público.

GIRL’S POWER: Gostei muito da técnica e condução da colombiana Fabiola Alvarado, que competiu com Zeus, um labrador amarelo. Não esqueçam esse nome, pois ela ficou com um dos border collie Kanove e vai dar trabalho para os barbados. Daqui a quatro anos, ela é forte candidata para ser campeã do Américas e Caribe.

 

IVAN BISTRAIN: Ele foi à Colômbia representar o México com seu Malinois Orene e um border collie, o Genius. Para poder formar um time, o German Villa com Kroll, seu labrador se juntou a ele e formaram o time mexicano.

JUIZ: Já o Joseph Boix conhecia do Mundial de Dortmund de 99 e o reencontrei no canil do Artur Pires, em Portugal. Foi um grande prazer reencontrá-lo, é uma pessoa muito simples e humilde, agradável de se conversar. E em pista, é um excelente juiz, monta pistas técnicas com dificuldades cabíveis aos graus e que fluem muito bem. Gostaria de ter ido com o Turbo e a Thainá só para fazer as pistas dele, foram as pistas dos meus sonhos!

MINI E MIDI: Não achei essas categorias fortes. Faltou velocidade para quase todos os Minis e entre os Midis, os destaques foram o Samuel, o schnauzer do German que arrasou no Américas e Caribe do ano passado. Dessa vez ele ganhou a prova de jumping individual mas infelizmente não teve êxito na de agility. Teve também a Targa, uma pastora de Shetland que está fazendo um excelente trabalho com o Luis Fernando Molano, assim que ele conseguir entrar em forma e acertar detalhes como zonas de contato e saída do túnel murcho, essa cadela tem tudo para arrebentar.

 

ORGANIZAÇÃO: Como estamos acostumados, competimos com coletes. O piso era carpete e tinha uma foto célula, como acontece aqui no Brasil. No entanto, os resultados não eram dados na hora: esse foi, talvez, o único ponto em que pecou a organização.

PEQUENO AGILITEIRO: O Davi Rodriguez Junior, filho do Davi, competiu com um Pug e foi muito bem. Ele tem apenas 9 anos de idade e deve ser o condutor mais novo a participar de um Américas & Caribe. O menino é um clone do pai, conduz igual e já conseguiu colocar seu cão no grau 2. Tenho certeza de que esse garoto vai dar muitas alegrias para a Colômbia.

RONALDINHO: Tinha um colombiano lá que estava com o corte de cabelo do Ronaldinho, o cara deve gostar mais do Ronaldinho do que muito brasileiro por aí!

STANDARD: O grau da competição aqui foi muito bom e os melhores cães foram os border collies, em especial os do Tamaio. Houveram dois borders colombianos que me agradaram também, o JJ do Davi e o Asterix do Alvaro. No entanto, surpresas agradáveis foram os labradores e goldens, bastante rápidos e ágeis, sem esquecer a Minerva, a pointer do meu amigo Juan Carlos (conhecido no Brasil como Pablo)!

 

TUDO DE BOM: Os colombianos devem se orgulhar muito do evento que organizaram. Recepção, público, mídia, um clima muito bom, foi nota DEZ! Parabéns à Colômbia!!!

 

Diário de Viagem: 

“Fui tirar um lazer e voltei campeão Midi”

Veja como foi o dia-a-dia do Hélio na Colômbia.

 

04/07 – Quinta-feira

A Áurea e meu cunhado foram me levar ao aeroporto. O vôo estava marcado para as 10h25 e às 8h30 já estava fazendo o check in. Aí a recepcionista da companhia aérea me pediu o atestado de vacina e logo dei a carteira de vacinação dos cachorros. Mas ela queria a MINHA, de febre amarela! O Negão ficou branco. A moça mandou que eu fosse à Rodoviária do Tietê tirar pois o Posto de Saúde do aeroporto estava em greve. Aí eu fiquei desesperado e a recepcionista resolveu ir falar com supervisor sobre a possiblidade de eu tomar essa vacina assim que pusesse os pés na Colômbia. Aí autorizaram e o Negão ficou pretinho de novo. Kim, Border e mais três filhotes foram embarcados. Na chegada a Bogotá, o dr. German Moreno, Mônica Ramirez e o Tamaio me aguardavam. A primeira coisa que eu fiz foi tomar a tal da vacina. Do aeroporto, fui à Clínica Veterinária Dog Tor, de propriedade do Dr. German, onde pude cuidar dos meus cães, dar água e comida e tirá-los um pouco da caixa. Foi lá que me hospedei com todo o conforto e hospitalidade. Foram seis horas de vôo e não tive problemas com altitude ou cansaço. À noite, fui com o Dr. German visitar a casa de Mônica Ramirez e saímos para jantar.

05/07 – Sexta-feira

O Dr. German me levou até o local do campeonato e lá nos encontramos com Tamaio e Mônica. Fomos a um clube onde estava sendo realizado curso de juízes de agility ministrado pelo juiz do evento Joseph Boix. Voltamos ao ginásio e almoçamos mas redondezas, já que ficava em uma excelente localização, com muitas opções para comer. Escolhemos um “assadero”... A partir das 15h30 começo o exame veterinário, com medição de cães cujo tamanho causava dúvidas – como a Kim – e pudemos então treinar no carpete do local onde seriam as provas. Após o treino, aconteceu a abertura oficial do evento, com a apresentação dos juízes que estavam julgando as exposições de estrutura e provas de trabalho; em seguida desfile das equipes de agility, com direito a uma pessoa carregando a bandeira e o time caminhando atrás, encerrado pela execução dos hinos de todos os países que estavam representados. Em seguida, fomos jantar.

06/07 – Sábado

Começou a competição. Após o reconhecimento da pista, começou a competição, primeiro por times. Como eu não estava em nenhum time, não me lembro exatamente da ordem das provas. À tarde, tivemos a competição individual seguido pelo Grande Jumping, com todos os cães participando e para finalizar o dia, uma prova de Knock Out.

07/07 – Domingo

De manhã houve a segunda prova por times seguida pela prova individual. Depois veio a prova por duplas, em que conseguimos a primeira colocação com Billy 1 com Tamaio e Billy Branco comigo. Essa prova de duplas foi muito interessante, o primeiro cão dispara a fotocélula da partida, faz o percurso até um determinado obstáculo sem passar pela fotocélula do final. Assim que ele ultrapassa esse obstáculo que é o último de seu percurso, o segundo cão parte de cima da mesa e tirando o primeiro obstáculo, faz o mesmo percurso que o primeiro até encerrar marcando o tempo na fotocélula de chegada. Se um dos cães for eliminado, a dupla está fora. Essa prova foi seguida por um Knock Out de encerramento e ambas agradaram em cheio o público presente! Logo em seguida, houve a premiação de todas as categorias, com pódios do primeiro ao terceiro lugares. Eu tinha levado para a Colômbia três filhotes, dois já vendidos e um que eu tinha certeza que ia vender. Dito e feito, apareceram mais de 20 pessoas na clínica para ver os cachorros e a disputa foi tão grande que queriam leiloar o  filhote que  não tinha sido encomendado; ele acabou ficando com a Fabíola, uma condutora de muito futuro. Agora são quatro borders do Kanove nas mãos de agiliteiros colombianos e tenho certeza de que se tivesse levado dez filhotes todos teriam ficado por lá e muitos se lamentaram por não terem encomendado. A respeito desses filhotes, só posso dizer que são excelentes tanto para estrutura como para trabalho, afinal são legítimos Kanove.

08 e 09/07 – Segunda e Terça-feira

Na segunda, fui convidado para um almoço na casa do sr. Morgan, um grande cinófilo colombiano, em que eu pude ouvir comentários a respeito de como foi legal a participação do público. Todos adoraram os cães do Tamaio e não paravam de falar sobre o talento dos condutores e o sucesso do evento. Em seguida, passeei por Bogotá, conheci pontos turísticos, shoppings, lojas de produtos típicos, artesanato e lembranças colombianas. Na terça-feira, continuei bancando o turista e quando fui para o aeroporto, o Dr. German Moreno, o German Villa, o Alvaro Moreno e o Ivan Bistrain, do México, me acompanharam e garantiram que minha partida fosse a mais tranquila possível, ajudando a carregar caixas, fazer o check in, driblar a alfândega e principalmente fazendo companhia. Peguei o vôo das 21h30 e às 6h00 de quarta-feira já estava de novo no Brasil.

Valeu demais ter ido, não só por ter ganhado mas principalmente por ter participado do evento. Vendi filhotes de border collie, abrindo mercados para o Canil Kanove – voltei com encomendas para Colômbia e Venezuela. Mas o mais importante foi sem dúvidas poder rever os amigos e fazer novos amigos. Até o ano que vem – seja lá onde for!

 

Agradecimentos

A INGRID & GORDO, DR. MORGAN & FAMÍLIA e MONICAS (RAMIREZ e RUEDA) pela recepção e o auxílio em todos os sentidos; à equipe da CLÍNICA VETERINÁRIA DOG TOR pelo carinho e cuidado com os cães brasileiros e também à CLÍNICA PET PLUS (ZÉ ROBERTO, MONICA e YUKA) pelo apoio incondicional ao Canil Kanove, a TODOS OS AMIGOS que participaram direta ou indiretamente do sucesso que foi esse evento e especialmente ao amigo GERMAN MORENO, que fez de tudo pelo Negão enquanto estive na Colômbia.

PS: Dr. German, adorei a carne “sobrebarriga”!!!!!  

Texto: Adriana Mori

 

GALERIA DE FOTOS