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VOCAÇÃO,
COMPETIÇÃO E DIVERSÃO |
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Por ocasião do quinto aniversário da sua escola, em outubro do ano passado, Betina Correia relembrou o importante papel desempenhado pela ABRAFA: desenvolver nas pessoas o gosto pelo agility.
A 19a. versão do
Festival de Agility da ABRAFA, do último dia 22 de fevereiro, confirmou,
mais uma vez, essa vocação. Lá estavam condutores
"veteranos" que se iniciaram no agility ainda nas pistas do
Parque da Moóca: Tuca, Carla, Mauro, a família Marcelo,
Josely e Lucas, Reginaldo, Joaquim, Bruno, Antonio, Mariangela, Margarete,
Bruna, Chú, Mayra, Natália, além de eu mesma, e cães
"veteranos" também, como Lilica, Gugu, Kim e Lola, que
tiveram sua experiência devidamente lembrada. Entretanto, foi a participação
maciça de competidores das categorias Iniciantes e Grau I, que
caracterizou o match. Tendo como maioria condutores não profissionais,
alguns abertamente adeptos da máxima "agility is fun",
o número crescente de cães de raças consideradas
mais aptas para o esporte, como borders e shelties, demonstrou que a expectativa
de diversão está convivendo intimamente com o desejo de
alcançar-se altos níveis de competitividade. Interessante notar, como
esse desejo de ser competitivo está associado com o forte sentimento
de grupo entre os participantes de cada escola. As manifestações
da torcida, os comentários durante e após as provas e o
próprio agrupamento das pessoas na platéia, demonstraram
que além dos bons resultados individuais das duplas, os competidores
estavam "defendendo uma camisa". Essa atitude, sem dúvida,
é muito estimulante e representa um apoio importante para aqueles
que estão na pista, mas é indispensável que se baseie
na técnica. O desempenho dos condutores, o sucesso, o insucesso
ou a evolução de uma dupla ou de uma equipe devem ser analisados
criteriosamente, caso contrário, o que temos é mero corporativismo,
que não contribuirá em nada para o alcance dos resultados
esperados. Como ilustração,
cito o uso da mesa como marco de saída e chegada do percurso. A
preocupação mais freqüente em relação
ao obstáculo foi quanto à necessidade de parada do cão,
à exigência de alguma posição específica
ou mesmo sobre a intimidade do cão com o obstáculo e a necessidade
de "alcançar" o cão numa reta final de alta velocidade.
Confesso que eu mesma me preocupei com as duas últimas. Porém,
á medida em que transcorria a prova, pudemos observar, que a maior
dificuldade imposta pela mesa, era o fato dela estar no campo visual do
cão no momento em que ele fazia o último salto, confundindo-o
e ocasionando a derrubada da vara. As torcidas vibravam com os bons resultados
ou lamentavam a falta "justamente no último obstáculo",
mas poucos refletiram sobre o desafio e procuraram ajudar seus colegas
a não repetir a mesma falta. Assim, os resultados ficaram por conta
da "sorte" ou "azar" da dupla. Não sou contra "vestir
uma camisa", eu mesma atualmente defendo a EPOCA com muito orgulho,
mas se queremos alcançar resultados competitivos precisamos ser
críticos em relação ao nosso desempenho e compartilhar
nossas experiências com humildade. Não quero fazer o papel de "estraga-prazeres" ou coisa pior. O objetivo destas modestas reflexões é preservar o espírito dos festivais ou matches, que considero como ótimas oportunidades de testar e aprimorar o desempenho de nossos cães, dentro de um espírito de confraternização e diversão.
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