VOCAÇÃO, COMPETIÇÃO E DIVERSÃO
22.02.2003
No seu 19o. Festival de Agility, a ABRAFA confirma sua vocação, mas, como todas as escolas de agility, tem pela frente o desafio de conciliar diversão e competitividade.
texto: Teresa Machado Rodrigues
fotos: Marisa & Kiara

Por ocasião do quinto aniversário da sua escola, em outubro do ano passado, Betina Correia relembrou o importante papel desempenhado pela ABRAFA: desenvolver nas pessoas o gosto pelo agility.


A 19a. versão do Festival de Agility da ABRAFA, do último dia 22 de fevereiro, confirmou, mais uma vez, essa vocação.

Lá estavam condutores "veteranos" que se iniciaram no agility ainda nas pistas do Parque da Moóca: Tuca, Carla, Mauro, a família Marcelo, Josely e Lucas, Reginaldo, Joaquim, Bruno, Antonio, Mariangela, Margarete, Bruna, Chú, Mayra, Natália, além de eu mesma, e cães "veteranos" também, como Lilica, Gugu, Kim e Lola, que tiveram sua experiência devidamente lembrada.

Entretanto, foi a participação maciça de competidores das categorias Iniciantes e Grau I, que caracterizou o match. Tendo como maioria condutores não profissionais, alguns abertamente adeptos da máxima "agility is fun", o número crescente de cães de raças consideradas mais aptas para o esporte, como borders e shelties, demonstrou que a expectativa de diversão está convivendo intimamente com o desejo de alcançar-se altos níveis de competitividade.

Interessante notar, como esse desejo de ser competitivo está associado com o forte sentimento de grupo entre os participantes de cada escola. As manifestações da torcida, os comentários durante e após as provas e o próprio agrupamento das pessoas na platéia, demonstraram que além dos bons resultados individuais das duplas, os competidores estavam "defendendo uma camisa".

Essa atitude, sem dúvida, é muito estimulante e representa um apoio importante para aqueles que estão na pista, mas é indispensável que se baseie na técnica. O desempenho dos condutores, o sucesso, o insucesso ou a evolução de uma dupla ou de uma equipe devem ser analisados criteriosamente, caso contrário, o que temos é mero corporativismo, que não contribuirá em nada para o alcance dos resultados esperados.

Como ilustração, cito o uso da mesa como marco de saída e chegada do percurso. A preocupação mais freqüente em relação ao obstáculo foi quanto à necessidade de parada do cão, à exigência de alguma posição específica ou mesmo sobre a intimidade do cão com o obstáculo e a necessidade de "alcançar" o cão numa reta final de alta velocidade. Confesso que eu mesma me preocupei com as duas últimas. Porém, á medida em que transcorria a prova, pudemos observar, que a maior dificuldade imposta pela mesa, era o fato dela estar no campo visual do cão no momento em que ele fazia o último salto, confundindo-o e ocasionando a derrubada da vara. As torcidas vibravam com os bons resultados ou lamentavam a falta "justamente no último obstáculo", mas poucos refletiram sobre o desafio e procuraram ajudar seus colegas a não repetir a mesma falta. Assim, os resultados ficaram por conta da "sorte" ou "azar" da dupla.

Não sou contra "vestir uma camisa", eu mesma atualmente defendo a EPOCA com muito orgulho, mas se queremos alcançar resultados competitivos precisamos ser críticos em relação ao nosso desempenho e compartilhar nossas experiências com humildade.

Não quero fazer o papel de "estraga-prazeres" ou coisa pior. O objetivo destas modestas reflexões é preservar o espírito dos festivais ou matches, que considero como ótimas oportunidades de testar e aprimorar o desempenho de nossos cães, dentro de um espírito de confraternização e diversão.